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Seller Center: o que é e como funciona?

À medida que os marketplaces se expandem pelo varejo, mais soluções específicas para atender as demandas desse modelo de negócios começam a aparecer. É como o mercado de corridas por aplicativo, que, anos depois, fez surgir uma categoria de aluguéis de carro para motoristas desses apps. O seller center é um desses casos de ferramentas de apoio.

Um software desenvolvido para ajudar administradores de marketplaces e sellers a organizarem melhor a casa. Dependendo da aplicação, é possível gerenciar processos que envolvem catálogo, pedidos, logística, meios de pagamentos, integrações e outras tarefas importantes.

Tudo isso pensando em entregar uma robustez maior do que os módulos de uma plataforma de e-commerce.

Apesar dessa explicação inicial, queremos entrar um pouco mais nos detalhes. Vamos mostrar as funcionalidades de um seller center e como ele é importante para diversas operações de comércio eletrônico.

O que um seller center faz?

O seller center permite que lojistas e marketplaces possam cadastrar produtos, definir preços e estoques, visualizar e alterar os status dos pedidos, aprovar a entrada de novos sellers e integrar-se às transportadoras, plataformas de e-commerce, ERPs e meios de pagamento.

A depender de quem desenvolve um seller center, outras atividades podem passar por essa ferramenta, como:

  • Cadastro de árvore de categorias e filtros de busca;
  • Split de pagamentos;
  • Dashboard com indicadores de performance;
  • Configuração de promoções;
  • Anúncios no marketplace;
  • Emissão de notas fiscais;
  • Controle financeiro e conciliação bancária;
  • Exportação de relatórios;
  • SAC.

Não podemos destrinchar aqui todas as features que compõem os sellers centers disponíveis no mercado. Isso varia entre os fornecedores e os tipos de plataforma que desenvolvem.

Aliás, isso merece uma pequena atenção nossa.

Quais são os tipos de seller center?

No mercado, existem dois modelos: as ferramentas desenvolvidas internamente em um marketplace e as independentes.

No primeiro grupo, é comum vermos grandes operações com suas próprias tecnologias. Amazon, Mercado Livre, Shopee e Walmart são alguns exemplos de marketplaces que internalizaram essas atividades.

Isso pode fazer sentido em função de fatores como a gigantesca base de sellers, integração com outros serviços próprios (como fulfillment e meios de pagamento), venda de espaços publicitários dentro do seller center e uma série de outras customizações que uma solução de prateleira pode não atender da forma adequada.

Já as independentes são geralmente desenvolvidas por empresas de tecnologia. Essas soluções podem ser adaptadas em parte para determinados clientes ou podem ser multi-tenants, onde todos as contas compartilham de uma mesma infraestrutura e de um mesmo conjunto de módulos, garantindo atualizações mais rápidas e contínuas.

Essa opção pode ser bastante útil para as redes de negócios que possuem operações não tão customizadas como os big players. Além disso, ela pode trazer uma flexibilidade e uma série de vantagens adicionais em relação a uma feature nativa de uma plataforma de e-commerce.

Inclusive, vamos falar um pouco mais sobre tais vantagens.

Quais são os benefícios de um seller center?

Ao oferecer uma maior capacidade de gestão para quem tem um marketplace ou quer se tornar um, o seller center pode agregar os seguintes pontos fortes:

Maior controle da operação

Os proprietários de um marketplace agora podem, em uma mesma ferramenta, ditar as regras do seu negócio com mais liberdade.

Eles podem definir os parâmetros para entrada de vendedores, produtos, modais e serviços de entrega, meios de pagamento, anúncios, integrações e assim por diante.

E essas decisões podem ser embasadas não só pelo formato de cada negócio, como também pelos principais resultados e atualizações do seu e-commerce. 

Dados estratégicos como a receita gerada em um período, vendas por categoria, fluxo de aprovação de pedidos, repasse para os sellers… Enfim, esses e outros indicadores passam pela visão geral de quem controla o marketplace pelo seller center.

Tudo centralizado, sem precisar ter várias abas abertas no navegador ou programas no computador para visualizar e tratar os dados.

Ganho de escala

O que faz o marketplace ser um negócio com números estratosféricos* de faturamento é um negócio chamado efeito de rede.

Trata-se da capacidade de criar um ecossistema robusto de vendedores, parceiros, influenciadores, serviços de apoio e, o mais importante, clientes recorrentes.

Logo, para que um marketplace consiga expandir sua operação sem amarras, ele precisa de uma ferramenta flexível o suficiente para acompanhar tal crescimento.

Esqueça a possibilidade de fazer controles manuais em planilhas ou em outros documentos armazenados por conta própria. Isso pode até funcionar quando se trabalha com um ou dois sellers. Quando o negócio precisa avançar, será preciso um sistema preparado para isso.

Um seller center, por exemplo, costuma estar apto a receber vendedores de diferentes plataformas, integrar-se com diversos sistemas de gestão e ter uma infraestrutura capaz de processar um maior volume de dados, transações e usuários.

Plataformas que trabalham com microsserviços e APIs abertas são exemplos de modelos que teriam mais capacidade de escalar com os seus clientes.


* Só para não passar batida aquela afirmação sobre “números estratosféricos”, separamos dois dados que mostram a força dos marketplaces:

  • No mundo, ao fim do mesmo ano, os 100 maiores marketplaces do mundo faturaram, juntos, 2,7 trilhões de dólares, segundo o Digital Commerce 360;
  • No primeiro semestre de 2020, eles foram responsáveis por mais de ¾ das vendas no comércio eletrônico brasileiro, segundo o relatório Webshoppers, da Ebit | Nielsen.
Gráfico que representa a participação do marketplace no faturamento total do e-commerce no primeiro semestre de 2021. As lojas que também operam como marketplace faturaram o equivalente a 78% do total.

Transformação digital

Um dos aspectos mais legais de um seller center é o quanto ele possibilita a digitalização de vendedores que não têm suas próprias lojas virtuais.

Para os marketplaces que querem expandir sua rede em mercados pouco digitalizados, esse é um grande trunfo. Sellers ainda pouco habituados ao e-commerce tomariam menos riscos, sem precisar lidar com muitas tecnologias ou fornecedores.

O seller center passaria a ser o seu ponto focal, onde eles poderiam cadastrar seus catálogos e acompanhar os pedidos que sobem na loja 

A mesma lógica da transformação digital vale para as empresas que querem se tornar um marketplace.

Pense no caso das indústrias. Elas ainda não estão muito acostumadas a vender diretamente ao consumidor final, certo?

Então, elas poderiam trazer seus revendedores para dentro do seller center, criando um canal a mais de venda para eles e para si. Dessa forma, pode-se superar até aquela velha ideia de que o e-commerce canibaliza as vendas do varejo físico.

Mas isso tudo só faz sentido se a ferramenta for simples de usar. A ideia é justamente facilitar o acesso a dados e a atividades para quem acha complicado ter que mexer em várias plataformas ou com programação.

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Um seller center serve apenas para marketplaces?

Não!

Mas vale frisar um ponto importante aqui sobre o conceito de marketplace. Normalmente, entendemos sua definição como uma plataforma digital que intermedia e finaliza a compra de produtos ou serviços entre vendedores e clientes, certo? 

O problema é que acabamos, muitas vezes, relacionando a ideia de marketplace somente às empresas como Magalu, Mercado Livre e Americanas.

Entretanto, empresas com outros modelos de negócio também podem ser compreendidas como marketplaces. 

Por exemplo, uma rede de lojas de vestuário pode montar o seu próprio e-commerce e trazer, como vendedores, as filiais de regiões estratégicas ou que possam fazer entregas com retirada no ponto de venda.

Uma marca que trabalha com venda direta pode cadastrar seus revendedores como sellers no seu próprio marketplace e premiá-los com comissões por vendas atribuídas a eles.

O mesmo pode acontecer com uma franquia e seus franqueados, indústrias e seus distribuidores parceiros, atacadistas e seus revendedores, etc.

Então, é natural que você veja o termo marketplace sendo usado nos conteúdos sobre seller center, mas saiba que a ferramenta tem um alcance mais amplo, servindo para qualquer empresa que trabalhe com uma rede de sellers em seu ambiente de negócios.

Enfim, quando é que vale a pena adquirir um seller center?

Quando uma empresa quer abrir o seu próprio marketplace ou quando ela já tem um marketplace e quer dar escala a ele.

No primeiro caso, um seller center ajuda a organizar a casa desde o começo, sem ter que passar pela dor de cabeça de uma migração que os clientes do segundo cenário passariam.

Aliás, uma migração pode ser algo complicado, mas é necessário quando se demanda mais flexibilidade, economia e uma série de funcionalidades que a solução atual não dá conta.

Logo, quanto menos barreira tecnológica e financeira houver para trazer mais sellers para a base e aumentar suas fontes de receita, melhor.

E é isso que um seller center propõe: descomplicar a geração de negócios na internet e empoderar proprietários de marketplaces e sellers.

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